A TIRÓIDE E AS SUAS FUNÇÕES  hipotalamo

O que é a tiróide?
É uma glândula de secreção endócrina, que segrega hormonas tiroideias e lança-os na circulação sanguínea.

Esta glândula  localiza-se no pescoço logo baixo da maçã de Adão tem a forma de uma borboleta e é constituída por dois lobos, direito e esquerdo, unidos por uma porção central chamado istmo, cada lobo tem 4 cm de comprimento e 1 a 2 de largura.

A função da tiróide é produzir e libertar para a circulação sanguínea triiodotironina (T3) e tiroxina (T4)

Podemos viver sem estas hormonas?   p_735

São essenciais à vida e exercem vários efeitos a nível de metabolismo, crescimento e desenvolvimento do organismo.

Contribuem para a regulação da temperatura corporal, da frequência cardíaca, pressão arterial, funcionamento intestinal, controlo do peso, estados de humor entre outras funções.

O sangue transporta-as a todas as células do corpo influenciando o seu metabolismo.

Como é  feita a regulação  da tiróide?

  • É controlada por duas hormonas produzidas noutros órgãos.
  • Hipófise  glândula localizada na base do cérebro, que produz a TSH. (thyroid-stimulating hormone)
  • Hipotálamo  porção do cérebro imediatamente acima da Hipófise, que produz a TRH.(Hormona liberador da tireotrofina)
  • hipófise e o hipotálamo são uma espécie de sensores, sensíveis ao nível de hormonas tiroideias em circulação.
  • Se os Níveis de T3 e TSH forem baixos, o hipotálamo liberta TRH que estimula a produção de TSH pela hipófise.
  • Os níveis aumentados de TSH, por sua vez estimula a tiróide a produzir mais hormona tiroideia, de forma a restabelecer os níveis normais.
  • Se ao contrário os níveis de hormonas tiroideias excederem os valores normais, o hipotálamo e a hipófise diminuem a libertação de TRH e TSH respectivamente, de forma a diminuir a produção de T3 e T4 pela tiróide.
  • As 3 glândulas e as hormonas por elas produzidas, constituem o que se designa por Eixo Hipotálamo-Hipófise-Tiroide.

Dados laboratorias e avaliação da tiróide
Pelos sintomas e pelo exame físico, o médico tem uma ideia da actividade da glândula. De qualquer forma é através de exames laboratoriais que se confirma a função tiroideia. Para tal é necessário efectuar uma colheita de sangue para dosear a T3, T4 e TSH.

Como surge uma disfunção da tiróide?
São muito comuns mas mais frequentes nas mulheres que nos homens.

  • Hipertiroidismo: sempre que há excesso de hormonas da tiroideias,
    Hipotiroidismo: quando há deficiência de hormonas tiroideias,
  1. Doenças autoimunes: são causadas por anticorpos dirigidos contra a glândula da tiróide, que podem estimular ou destruir a glândula. (Ex. doença de Graves causa de hipertiroidismo) e a tiroidite de Hashimoto,
  2. Bócio quando a glândula está globalmente aumentada de tamanho,
  3. Nódulos: podem ser um  ou múltiplos.

HIPERTIROIDISMO

  • quando a glândula tiróide produz hormonas em excesso. As hormonas tiroideias controlam quase todas as funções do seu organismo e a sua velocidade de funcionamento.
  • Quando há um excesso destas hormonas, o seu organismo está “acelerado” o mal-estar é evidente e o tratamento é urgente.

Causas do hipertiroidismo
Podem ser várias.

  1. Doença de Graves – É uma alteração em que há aumento do volume da tiróide (bócio), hipertiroidismo e, por vezes edema dos tecidos periorbitários que podem causar alterações da visão. É mais frequente nas mulheres que nos homens e pode ser familiar.
  2. Nódulo Tóxico – quando a tiróide apresenta um único nódulo que produz mais hormonas que o necessário para o funcionamento normal do organismo.
  3. Bócio multinodular tóxico – A tiróide apresenta-se mais volumosa (bócio)com vários nódulos que podem produzir excesso de hormonas.
  4. Tiroidite subaguda – Após uma infecção vírica a tiróide torna-se mais volumosa e dolorosa e liberta para o sangue uma grande quantidade de hormonas que tinha armazenadas. Não há um verdadeiro aumento de produção, e portanto, o hipertiroidismo é auto-limitado.

Excesso de hormona tiroideia

  • Os doentes que fazem tratamento com hormona tiroideia (levotiroxina) podem desenvolver hipertiroidismo se a dose desta se tornar excessiva. Por isso, a função tiroideia deve ser periodicamente vigiada e a dose periodicamente ajustada.
  • Ingestão excessiva de iodo – Algumas medicações contém iodo (ex. solução de lugol, amiodarona, contrastes de RX...) que em certas situações pode estimular a tiróide e causar um hipertiroidismo.

Sinais e sintomas
Quando o diagnóstico é feito geralmente está presente um bócio e o aumento de volume da tiróide que se pode acompanhar de:

1. Palpitações, aumento da frequência cardíaca (> 100 por minuto);

2. Nervosismo, ansiedade, irritabilidade, insónia;

3. Tremor das mãos;

4. Perda de peso apesar de apetite aumentado;

5. Hipersudorese e intolerância ao calor;

6. Queda de cabelo, pele fina alteração das unhas;

7. Diarreia;

8. Diminuição do fluxo menstrual e irregularidades menstruais;

9. Fraqueza muscular nos ombros, braços ou coxas;

10. Olhar vivo, fixo e/ou olhos proeminentes, visão dupla (na Doença de Graves).

DIAGNÓSTICO
Quando há uma suspeita clínica, pode ser realizada uma análise ao sangue onde é doseada a TSH – a hormona da hipófise que estimula a tiróide e que no hipertiroidismo está diminuída e a T3 e T4 – hormonas da tiróide que no hipertiroidismo circulam em excesso no sangue.
Posteriormente poderão ser necessários outros exames para conhecer a causa: determinação de anticorpos, cintigrafia da tiróide ou ecografia. 

tratamento
Há 3 tipos de tratamento e o seu médico poderá explicar-lhe os riscos e benefícios de cada um. O objectivo é terminar com a produção excessiva de hormonas da tiróide.

Fármacos anti-tiroideios

há fármacos que actuam diminuindo a produção de hormonas da tiróide. Alguns doentes conseguem uma remissão de hipertiroidismo com um tratamento prolongado (12-18 meses) embora noutros apenas se consiga um controlo provisório.
Podem ter alguns efeitos laterais (reacções cutâneas, alterações hepáticas, redução de glóbulos brancos) e o seu uso deve ser vigiado e controlado por um Endocrinologista.\

Iodo radioactivo:
Resulta numa resolução definitiva do hipertiroidismo. É administrado por via oral (geralmente em cápsulas) e ao entrar na célula da tiróide destrói-a. O seu efeito máximo é notado 3- 6 meses após a administração.
Ocasionalmente o hipertiroidismo mantêm-se e é necessária uma segunda dose. Mais frequentemente resulta num hipotiroidismo (glândula menos activa) e é preciso ficar a tomar hormona tiroideia de substituição. A dose exacta de iodo para se conseguir uma função tiroideia normal é difícil de calcular. É utilizado há muito tempo e não tem complicações importantes.
Tratamento cirúrgico: em alguns casos é necessário remover cirurgicamente parte (nódulo tóxico) ou toda a glândula (doença   Bócio multinodular tóxico) Se a remoção for completa surge o hipotiroidismo e é necessário tomar hormona tiroideia para o resto da vida.
Outros tratamentos: fármacos do grupo dos bloqueadores beta-adrenérgicos podem ser utilizados para controlar os sintomas de hipertiroidismo enquanto os outros tratamentos se tornam efectivos.

HIPOTIROIDISMO
É uma condição em que as hormonas da tiróide estão em quantidade insuficiente no sangue  que  vai comprometer o normal funcionamento do organismo.

Quais são as causas?
Existem muitas razões pelas quais a tiróide deixa de funcionar adequadamente, nas pessoas com hipotiroidismo as mais frequentes são:

1. Doença autoimune: É a causa mais comum em adultos. Nesta condição as defesas do organismo deixam de reconhecer a tiróide como fazendo parte do corpo e atacam-na como se fosse uma entidade estranha. À medida que vai sendo lesada, a tiróide deixa de ter capacidade para libertar hormonas, em quantidade suficiente estabelecendo-se o hipotiroidismo.

2. Falta ou excesso de iodo: Para produzir hormonas a tiróide necessita de iodo em quantidades adequadas. O iodo é fornecido pelos alimentos. Quando em níveis insuficientes ou excessivos pode alterar a função da tiróide.

3. Cirurgia prévia: Algumas doenças da tiróide requerem uma cirurgia para remoção total ou parcial da glândula. Se a remoção for completa ou o volume restante for pequeno, não haverá produção dos níveis normais de hormonas;

4. Medicamentos: Fármacos como a amiodarona, lítio ou interferão.

5. Radiações: Pessoas submetidas a tratamentos com radiações para doenças da tiróide ou outras da cabeça ou pescoço podem desenvolver hipotiroidismo. 

Sintomas
Uma vez que as hormonas da tiróide actuam na generalidade dos órgãos, os sintomas (que não são exclusivos desta doença) são variados e incluem:

1. Aumento da sensibilidade ao frio;

2. Fadiga;

3. Cansaço fácil;

4. Obstipação;

5. Pele seca, cabelo fino e quebradiço;

6. Irregularidades menstruais;

7. Ligeiro aumento de peso (retenção de líquidos);

8. Mialgias e parestesias

Diagnóstico
O diagnóstico definitivo baseia-se no doseamento no sangue das hormonas da tiróide, e da TSH hormona que regula o funcionamento da tiróide, e que é produzida noutra glândula, na hipófise, que se localiza no interior do cérebro.

Tratamento
Consiste na administração da hormona da tiróide na forma de L-tiroxina (T4), de forma a fornecer ao organismo a quantidade de hormonas que o organismo se tornou incapaz de produzir.

nota: o tratamento é médico e altamente especializado 

Vigilância Médica

A maioria dos casos de hipotiroidismo são definitivos, não tendo cura. No entanto, desde que o tratamento seja bem realizado, as pessoas não terão quaisquer sinais ou sintomas. A dose de L-T4 adequada pode variar ao longo do tempo na mesma pessoa, o que obriga a que o seguimento seja continuado para ajustar a posologia.

NÓDULOS DA TIRÓIDE
A tiróide é uma glândula que todos temos e se localiza no pescoço. Por vezes pode estar aumentada de volume de forma difusa – bócio simples ou pode ter nódulos – bócio nodular.

Porque aparecem?
A maioria das vezes desconhece-se a causa. Algumas causas conhecidas:

1. Deficiência de iodo;

2. Alguns medicamentos: amiodarona, lítio,….

3. Determinados químicos;

4. Radioterapia da cabeça ou do pescoço;

5. Causas genéticas.Nódulo único
Os nódulos da tiróide são muito mais frequentes nas mulheres do que nos homens. Os nódulos com menos de 1 cm, não têm importância clínica, necessitando apenas controlo anual. Nos nódulos com mais de 1 cm é conveniente a realização de uma citologia aspirativa com agulha fina para verificar que não existe cancro da tiróide, que constitui uma minoria das situações (cerca de 5%).Nódulos múltiplos ou bócio multinodular
Se forem grandes podem dar algum desconforto ou sensação de compressão a nível cervical. Nessa situação pode ser necessário cirurgia, ou sempre que a citologia for suspeita.

Que exames devem ser feitos?

1. Colheita de sangue para avaliar os níveis das hormonas tiroideias: Se estiverem aumentados pode tratar-se de um ou mais nódulos a trabalhar em excesso.

2. Ecografia da tiróide: É um exame indolor que nos permite avaliar a morfologia da glândula, isto é, o seu tamanho, a existência de nódulos e se estes são sólidos ou líquidos. Não nos indica se o nódulo é benigno ou maligno.

3. Citologia com agulha fina: Recolha das células do nódulo para estudo microscópico.

4. Cintigrafia da tiróide: só deverá ser efectuado em algumas situações particulares.

Tipos de nódulos

1. Benignos: podem ser quistos, nódulos, coloides, adenomas….

2. Malignos:
– A maioria dos cancros da tiróide não tem a gravidade dos outros cancros e têm um comportamento “quase benigno”.
– O tratamento é cirúrgico e por vezes é necessário tratamento com iodo radioactivo.
– A vigilância deve ser para o resto da vida

Valores de referência

TSH = 0,4 a 4 mU/ml
T3 = 80 a 200 ng/dL
T4 = 4,5 a 12,5 mcg/dl

Referências  de Varias Fontes

Consulte o seu médico de família e nunca faça auto-medicação

imagesFebre amarela     mosquito

O vírus da febre amarela é filtrável e ultramicroscópico, parasita obrigatório de células hospedeiras, é um Arbovírus dos quais  se  conhecem-se mais de 170 Arbovírus

A febre-amarela está confinada às florestas tropicais da África e América, onde o ciclo enzoótico (Epidemia dos animais limitada a um lugar ou região) inclui os macacos e os mosquitos das árvores, (Aedes aegipty e Haemagogus ) que picam os macacos. O homem contrai a infecção quando os macacos abandonam as florestas e provocam a infecção do mosquito doméstico.

Sintomas

  •  Necrose e degenerescência gorda do fígado.
  • Extensas hemorragias das vísceras.
  • Nefrose tóxica (intoxicação renal).
  • Mal-estar.
  • Vómitos
  • Dores de cabeça intensas.
  • Febre muito alta (no terceiro ao sexto dia de incubação).
  • Do segundo ao quarto dia os sintomas atenuam-se devido a intoxicação profunda e o ritmo do pulso baixa.
  • Pode-se observar uma lenta convalescença, mas o prognóstico é sempre grave.
  • O carácter da infeção humana pode variar, desde um  estado assintomático, até icterícia grave com hemorragia e morte.

O vírus é patogénico para todos os macacos da América do sul, mas em muitas espécies africanas produz virémia e febre  moderada. A maior parte das estirpes africanas conduzem à  morte do macaco por necrose aguda do fígado.

Patogenia

Depois  da picada do mosquito os vírus invadem os gânglios linfáticos  locais onde se multiplica só depois de 3 a 4 dias passa á corrente sanguínea, que o transporta ao fígado , baço, medula e rins , nos quais provoca fenómenos de necrose.

diagnóstico laboratorial 

  • Nos primeiros 5 dias isolamento do vírus no sangue.
  • Nos casos fatais  exames histológicos do fígado .
  • . A determinação laboratorial da PCR ( marcador inflamatório é indicada em variadas situações clínicas, tais como:  monitorização da reposta terapêutica à antibióticoterapia em infecções bacterianas. )
  • Severas medidas de combate ao mosquito
  1. Vacinação . “Considera-se prudente não vacinar as crianças com menos de um ano a não ser que corram grandes riscos  até aos seis meses” A imunidade estabelece-se  a partir do nono dia e mantém-se proteção durante 6  a 10 anos.
  2. Recomenda-se que a vacina seja administrada 4 dias no mínimo  ou 3 semanas  antes da vacina anti-variólica.

Tratamento médico 

  • Sintomático e paliativo. (A ribavirina é um anti-vírus de largo espectro oral e o fosfocarnete sódico parentérico, que têm efeito sinérgico com o interferom α, didadosina e fosfonoformato)
  • Transfusões de sangue  e diálise