Infecções das meninges (Meningites)

Março 2, 2018

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LCR PUNÇÃO copy1

Infecções das meninges

Sintomas

Os sintomas são quase sempre comuns, embora possam variar segundo o microorganismo causal, verificam-se quase sempre os seguintes sintomas:

* dor de cabeça intensa;

* rigidez da nuca e coluna vertebral (não pode dobrar bem a nuca para a frente);

* o doente apresenta impossibilidade de sentar-se sem dobrar os joelhos;

* vómitos sem esforço; * pulso e respiração lenta e irregular; * prisão de ventre; * estrabismo; * ausência de certos reflexos (osteotendinosos).

As Meningites podem ser purulentas e não purulentas.

Purulentas

Podem ser causadas pelas seguintes bactérias: Menigococo, Estreptococo, Estafilococo e colibacilo. Causa pode ser uma enfermidade geral ou a uma enfermidade local, como:

* Infecção do ouvido (otite média), sinusite e amigdalite.

Não purulentas

A causa pode ser:

*Bacilo da Tuberculose

* Parotidite epidémica (papeira) um vírus

* Sífilis (Treponema P.)

* Paralisia infantil um vírus (Meningite cerebrospinal epidémica)

É uma doença contagiosa, causada pelo meningococos, que parece penetrar pela nasofaringe até às meninges. Também existe a hipótese da Neisseria meningitidis (Menigococo) poder lançar-se na corrente circulatória e infectar as meninges.

Esta possibilidade é sustentada pelo facto das hemoculturas serem positivas nas fases iniciais da infeção e aparecer o exantema purpúreo com o isolamento de meningococos nas lesões da pele, sobretudo nos surtos epidémicos.

Acção patogénica

O menigococos elabora produtos altamente tóxicos que foram obtidos a partir das culturas em laboratório e é uma endotoxina que se difunde facilmente para o exterior.

O habitat normal do meningococos é a nasofaringe ou espaço pós-nasal, onde se localiza em 5 a 10% dos indivíduos sãos. Recentemente classificaram-se 4 grupos principais da bactéria que se identificam com as letras A, B, C e D. A maioria dos casos nas epidemias da meningite cerebrospinal é devido ao grupo (A), assim como a maioria das estirpes localizadas na nasofaringe de portadores que não contactaram com doente infectados é dos grupo B, C e D. Conclui-se que estes são menos patogénicos que as do grupo A.

EPIDEMIOLOGIA

Os surtos de febre cerebrospinal ocorrem nos locais de elevada população e o exame bacteriológico revela grande percentagem de portadores da estirpe epidémica (A), entre indivíduos em contacto com doentes infectados. Verificou-se que as percentagens de portadores sãos do grupo A que excedem os 20% têm uma forte probabilidade de se transformar em surto endémico.

Na África Oriental e Ocidental, as grandes epidemias dão-se nas secas e terminam bruscamente com o início das chuvas. Nos Países frios e temperados, a incidência de meningite aumenta na primavera e a mais elevada mortalidade verifica-se na infância.

Sintomas

* O período de incubação varia de 1 a 5 dias. A doença inicia-se de forma bastante brusca e o doente apresenta os seguintes sintomas: * calafrios, febre alta e vómitos; * dor muito intensa de cabeça, nuca, coluna vertebral e membros; * na criança, com frequência verificam-se convulsões; * podem logo no primeiro ou segundo dia da enfermidade aparecer manchas vermelhas ou arroxeadas na pele e depois começam a aparecer os sintomas mencionados nas doenças meníngeas.

Diagnóstico

É feito pela punção lombar  do LCR com determinação  dos exames laboratoriais bioquímicos, e bacteriológico do líquido turvo ou límpido.

A enfermidade pode deixar sequelas mentais.

Punção Lombar

* O local habitual é o terceiro ou quarto espaço Lombar. ( veja a figura) Depois de uma punção lombar, o doente deve repousar 2 a 24 horas. Podem surgir dores de cabeça intensas e dores na costas, dores cervicais, que podem durar horas ou dias.

* Fazer a colheita para 3 ou 4 tubos de centrífuga esterilizados 10 a 15 ml de L C R.

Contra-indicações da punção lombar

  1. Nas septicemias e exantemas agudos (só se for absolutamente necessária).
  2. Nas convulsões.
  3. Nas cardiopatias.

Exame de rotina do LCR (líquido Céfalo Raquidiano)

Exame físico

Aspeto se é límpido ou turvo  e incolor.

Exame citológico

* Contagem de leucócitos com formula leucocitária, pesquisa de células tumorais.

Exame químico

* Determinação qualitativa das globulinas.

* Proteínas totais.

* Glicose.

* Cloretos.

* Exame toxicológico (Álcool, Monóxido de carbono e chumbo).

* Electrólitos (sódio, potássio e magnésio).

Exame serológico

* VDRL.

Exame bacteriológico

Culturas: para bactérias, fungos, vírus e pesquisa do bacilo da tuberculose.

Valores de referência

* Normalmente o liquido é límpido e cristalino como a água.

* Quando é amarelo, (xantocrómico) indica a presença de bilirrubina, que se deve a sangue alterado proveniente de uma hemorragia antiga.

* No síndrome de Froin, que aparece no bloqueio do canal raquidiano, a xantocromia vem associada a uma coagulação espontânea do L C R colhido.

* Nos prematuros aparece também a xantocromia, que desaparece entre a primeira e a terceira semanas de vida do bebé.

* O líquido turvo ou opalescente deve-se ao aumento de leucócitos (meningites piogénicas, meningite da influenza, abcesso encefálicos). Depois de 24 horas de repouso, forma-se um coágulo ou película de fibrinogénio nos seguintes casos:

* Na meningite tuberculosa observa-se uma película delgada.

* Nas meningites do tipo purulento, verifica-se uma película mais grossa.

* O líquido normal não coagula.

O número normal de leucócitos é de 0 a10/ mm3 e todos são linfócitos). Nas crianças, este número de linfócitos aumenta a partir de 1 ano e diminui dos 5 anos até puberdade, atingindo depois os valores normais.

* Os neutrófilos segmentados aparecem nos processos agudos. * Nas infecções crónicas ou nas reacções agudas não bacterianas predominam os linfócitos.

* No início da meningite tuberculosa observa-se um aumento moderado de 10 a 100 células e nas meningites tuberculosas avançadas 1000 leucócitos, com predomínio de linfócitos e ocorre o mesmo na neurosífilis, encefalite, poliomielite e na esclerose múltipla.

* Nas meningites piogénicas, pode observar-se aumentos consideráveis acima de 1000 /mm3 com predomínio de neutrofilos segmentados.

Valores de referência para a bioquímica do L C R

* Proteínas totais 15a 45 mg /por 100ml.

* Globulinas (o aumento das globulinas deve-se a alterações inflamatórias ou degenerativas do sistema nervoso). Grandes aumentos das globulinas devem-se a tumores cerebrais. Glicose * A taxa normal é de 40 a 75 mg / por 100ml

* Valores abaixo do normal encontram-se nas meningites agudas e tuberculosa.

* Na neurosífilis os valores são normais. Cloretos

* Valores normais em mmol/L 122 a 132.

* Nas meningites estes valores estão diminuídos e na meningite tuberculosa ainda mais diminuídos.

Tratamento para meningites considerando a Idade e factores de risco e agente causal

Menos de 2 meses E. coli, estreptococos , Ampicilina+cefotaxima Listeria Ampicilina + aminoglucósido

Menos de 6 anos H. influenzae Cefotaxima Meningococos Ceftriaxona Pneumococos Ampicilina+ Cloranfenicol

Dos 6 aos 60 anos Meningococos Cefotaxima Pneumocoos Ceftriaxona Benzilpenicilina Cloranfenicol

Mais de 60 anos Doentes com problemas imunológicos e alcoólicos Meningococos Ampicilina+ cefotaxima Pneumococos Ampicilina + aminoglucósido Enterobatérias Listeria sp.

Fistula nasal Pneumococos Cefotaxima

Benzilpenicilina

Toxicodependentes Estafilococos Cloxacilina+ ceftriaxona Enterobacterias Vancomicina+ cloranfenicol Meningococos Pneumococos

Meningite tuberculosa M. tuberculosis Isoniazida+rifampicina + Estreptomicina+ Pirazinamida

Meningites fúngicas Anfotericina B +heparina

(para prevenir flebites)

Hidrocortisona

(para evitar a febre causada pela Anfotericina B)

Profilaxia

O reconhecimento precoce de uma elevada percentagem de portadores do grupo A (menigococos), como nas cadeias, quartéis, universidades, escolas, etc. onde aparecem casos esporádicos de meningite, contribui para evitar a eclosão da epidemia.

Podem ser rapidamente tratados com pequenas doses de sulfamidas: 1 grama 2 vezes por dia, durante três dias. Para as colheitas, deve-se usar uma zaragatoa esterilizadas com haste mais longa de que a usual e com a parte terminal (onde se enrola o algodão) dobrada num ângulo de aproximadamente de 45º.

Abaixa-se a língua, e introduz-se a zaragatoa pela parte posterior da úvula e colhe-se também o exsudato na parede posterior.

As culturas devem ser feitas imediatamente em placas com meio de cultura específico e a 37ºc. Ou no meio de transporte de Stuart.

Outras meningites purulentas Tratamento: Sulfamidas e eventualmente antibióticos como a penicilina em altas doses.

Meningite tuberculosa

Pode aparecer em qualquer idade, mas é mais frequente na segunda infância.

Sintomas Seis semanas antes de aparecerem os sinais meníngeos, a criança emagrece e fica irritadiça com alterações de carácter, depois aparecem os sintomas meníngeos.

É de referenciar que os sintomas diferem de caso para caso e no mesmo doente modificam-se de um dia para o outro.

O tratamento é o mesmo da tuberculose pulmonar, mas mais intenso e prolongado.

Nota: este artigo serve de informação, as terapêuticas são da competência médica.

 

 

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