TUBERCULOSE PULMONAR (texto)

Dezembro 19, 2014

A tuberculose é uma infeção muito contagiosa provocada no humano pelo bacilo de Koch. Encontram-se largamente disseminadas as espécies patogénicas para o homem, mamíferos, aves ou répteis. São particularmente importantes as estirpes humanas e bovina, sendo a bovina a mais virulenta. A tuberculose aviária raramente contagia o homem. As formas mais frequentes de infeção são as pulmonares, pleurais e meníngeas. Os bacilos são bastonetes finos retos ou ligeiramente curvos com as extremidades arredondadas, afilada e, por vezes, dilatadas. É mais difícil de corar nos exames diretos microscópicos que a da maioria das bactérias; exige um corante enérgico e ação do calor. Por meio de reações à tuberculina, comprovou-se que 50 a 97% dos adultos que vivem nas cidades estão ou foram afetados pela tuberculose. Esta enfermidade estende-se a todo o mundo, e caracteriza-se pela diferença entre a enfermidade e a infeção. Regra geral, existe uma esmagadora percentagem portadora do bacilo, sem manifestar a infeção.

 Ação patogénica e contágio * A forma mais comum da primo-infeção é a lesão pulmonar, também conhecida por complexo primário ou foco de Ghon. O germe é inalado nas pequenas partículas de poeiras que penetram nos alvéolos ou bronquíolos e pode originar a lesão primária em qualquer zona do pulmão. Costuma reduzir-se a uma leve febre durante 2 a 3 semanas) A forma pós-primária, também chamada adulta, da infeção pulmonar é o tipo mais comum de tuberculose. É caracterizada por uma ou mais lesões do pulmão, que levam à gaseificação e abertura de cavernas. Afetam a árvore respiratória e provocam a tuberculose aberta. * A primo-infeção surge em qualquer idade e quando se verifica nos primeiros anos de vida (0 a 3) manifesta-se por sintomas clínicos: de tuberculose do hilo ou infeções gerais graves. Na idade escolar (5 a 15 anos) a infeção passa geralmente despercebida para voltar a manifestar-se no estado adulto sob a forma de enfermidade clínica. A pessoa sadia inala gotículas, dispersas no ar, de secreção respiratória do indivíduo doente. Este, ao tossir, espirrar ou falar, espalha no ambiente as gotículas contaminadas, que podem sobreviver e infetar uma pessoa debilitada.

 

Vitalidade da Mycobacterium tuberculosis

1. O ponto térmico letal do bacilo é de 60ºc durante 15 a 20 minutos. Embora a exsicação seja letal ao bacilo, há certo número de germes que sobrevivem durante semanas ou meses quando protegidos da luz solar.

2. O bacilo é relativamente resistente aos agentes químicos e sobrevive durante várias horas na expetoração com fenol a 5%

3. É muito sensível à luz e às radiações ultravioletas, mesmo à luz que atravessa vidraças; a luz solar difusa destrói o bacilo rapidamente.

4. É sensível aos seguintes antibióticos e quimiotrápios: estreptomicina, viomicina, ciclocerina, ácido p-amino-salicilico (PAS), hidrazida do ácido isonicotinico (isoniazida), tiosemacarbazona, metionamida e pirazinamida.

5. É de referir o aparecimento de estirpes resistente e mais virulentas, (MULTIRRESISTÊNCIAS) bem como o aparecimento de novos fármacos.

Predisposição (causas)

* Todas as formas que debilitem o organismo como alimentação escassa ou inadequada, trabalho excessivo, excessos sexuais, falta de descanso, alcoolismo, etc.

* Também predispõem certas infeções que atacam o aparelho respiratório como a gripe e o sarampo.

* Outros estados clínicos que debilitam o organismo: a diabetes, problemas renais, cirrose hepática.

* É frequente que o primeiro contacto com o bacilo se dê na infância e o organismo combate um foco primitivo de tuberculose, circundando-o por uma cápsula de paredes de cálcio, mas podem ficar no seu interior bacilos da tuberculose vivos, que tornam positivas as reações à tuberculina.

* A tuberculose da 2ª infância e do adulto pode ser o despertar da tuberculose aparentemente vencida na infância.

Sintomas

* Os sintomas podem dividir-se em locais e gerais.

* Os sintomas locais ou respiratórios são: a tosse, (é mais intensa pela manhã e à noite; a principio é seca e depois surge a expetoração) expetoração em que o exame laboratorial revela a presença de bacilos de Koch e fibras elásticas e raios de sangue. * Hemoptise. (sangue pela boca: quando aparece precocemente o sangue é pouco abundante e só aumente quando há cavidades).

* Os sintomas gerais são: febre, pulso rápido, que aumenta quando a infeção avança e pode persistir elevada quando a febre cessa. Suores noturnos, emagrecimento, falta de apetite, dor torácica (vulgarmente chamada dor nas costas) localiza-se mais frequentemente na parte baixa do tórax, às vezes ao nível do pulmão ou na região da omoplata, dispeneia (dificuldade em respirar ou a chamada falta de ar) e anemia.

Outros sintomas

* Fisionomia do tuberculoso: em geral, há palidez e, quando há febre, as maçãs do rosto podem estar avermelhadas. Os olhos são brilhantes. * Deformação dos dedos: engrossam nas extremidades como paus de tocar tambor e aparecem na fase terminal do doente sem tratamento. A tuberculose é hoje uma doença curável quando o doente colabora com  o seu médico assistente.

Diagnóstico

  1.  Deve ser feito através de exames complementares como:  radiografia do tórax, pesquisa da bactéria na expectoração com contagem do número de bacilos por campo microscópico, culturas  da expectoração em meio de Lowentein. 
  2.  velocidade de sedimentação dos glóbulos vermelhos e hemograma. Nas crianças, há reações à tuberculina (Mantoux).  culturas da expetoração e líquido pleural.
  3. * observação de granulomas gaseificantes (biopsia bronquial ao tecido pulmonar).
  4. * fibrobroncospia com lavagem broncoalveolar e biopsia transbronquial.

Nota: o diagnóstico deve ser feito por um médico e em centros especializados.

 Profilaxia

* O doente não deve escarrar para o chão, deve fazê-lo somente para pedaços de papel higiénico ou lenços de papel que devem ser queimados.

* Abater animais infectados, como as vacas.

* Desinfectar as casas em que um tuberculoso viveu.

* Evitar o contágio com louças e talheres que servem o doente.

* Hoje existem estirpes do bacilo mais resistentes e virulentas, porque muitos doentes não tomam a medicação até que a cura se complete.

* As populações devem colaborar com os serviços de saúde nas campanhas antituberculose.

* Deve-se seguir à risca o tratamento indicado e só devem parar de tomar os medicamentos por indicação médica.

* Beber sempre leite pasteurizado ou fervido.

* A doente infectada deve evitar a gravidez até que o médico o permita.

* As crianças que são filhos de doentes devem ser imediatamente afastadas do ambiente de contágio e submetidas à vacinação e outras medidas indicadas pelos técnicos de saúde.

* Os recém-nascidos devem ser vacinados e deve-se ter o cuidado de manter as crianças fora do contacto com doentes infetados.

* É comum dizer-se que os copos de vidro não transmitem a doença. O bacilo adere bem ao vidro e transmite a doença. Não beba por copos que serviram um doente, a não ser que tenha sido esterilizado. A simples lavagem não garante a esterilização.

* Todos aqueles que conviveram com um doente devem ser examinados e submetidos a exames complementares de diagnóstico.

* Fazer uma alimentação adequada e alimentar as populações carenciadas. A tuberculose é uma doença da comunidade que nos pode afetar a todos.

Tratamento – Aumentar as defesas naturais do paciente.

1. O repouso é fundamental. Logo de início deve repousar entre 4 a 6 semanas e o repouso também deve ser mental.

2. Respirar ar puro estimula as defesas do organismo, baixa a febre e abre o apetite, mas evite que o doente se exponha a correntes de ar e sinta frio.

3. O clima deve ser de altitude média e seco, mas o doente bem tratado pode ficar curado em qualquer clima.

4. A alimentação deve ser completa, rica em cálcio, vitaminas e sais minerais.

5. O sol só é benéfico na tuberculose dos ossos, articulações, laringe, intestinos, etc. Está contraindicado em muitos casos de tuberculose pulmonar.

Tratamento medicamentoso (vários esquemas de tratamento)

Comprimidos de isoniazida e seus derivados e associados ao PAS, sob vigilância médica. Antibióticos como a ciclocerina, a viomicina e certas sulfonas. Muito ativas são a piracinamida e a etionamida. Na atualidade usa-se a seguinte medicação com curas completas: a. Tratamento seguido de seis meses sem interromper a medicação: (Isoniazida) Adulto——————– 400mg / dia Criança——————–10mg para cada kg de peso (para crianças com meningite tuberculosa, a dose deve ser de 6 a 8 mg/kg durante um ano até não apresentar sintomas).

Quando a prova de Mantoux na criança for fortemente positiva, deve seguir um tratamento profilático de 10 mg/kg/d durante 4 a 6 meses

Rifampicina: em jejum com um intervalo alargado das refeições: Adulto———————600mg/dia p.o. Criança 20mg/kg de peso p.o Prematuros: 10mg/kg p.o.

Nota: a isoniazida é o medicamento mais usado contra a tuberculose e também o mais eficiente. Este medicamento é geralmente associado a outros fármacos como a vitamina B6, para evitar reações adversas como: formigamento nas mãos e nos pés e nervosismo, mas só quando o doente apresenta sintomas de carência da vitamina.

Rifampicina Reações adversas: raramente o doente apresenta reações alérgicas.

* Comichão e vermelhidão na pele

* No aparelho digestivo, náuseas e vómitos

* Nariz a escorrer e entupido

* Dor de cabeça

* Não deve ser dado durante os três primeiros meses de gravidez

* Neutraliza o efeito da pílula anticoncepcional

Outro esquema de tratamento (para maiores de 15 anos) doses diárias:

Hidrazida———————-400mg durante seis meses +Rifampicina—————– 600mg durante seis meses + Pirazinamida ou etambutol—————–2 g durante dois meses

Para crianças abaixo dos 15 anos doses por quilo de peso e por dia: +Hidrazida————————————–10mg durante seis meses +Rifampicina———————————–10mg durante seis meses +Pirazinamida ———————————-35mg durante dois meses

Efeitos adversos (raramente aparecem) Pirazinamida Náuseas e vómitos Alergias na pele Etambutol Problemas na visão quando tomado por um longo período e em doses elevadas

Dosagem para a meningite tuberculosa até obter ajuda médica especializada Adulto———————-1600 mg/por dia (4 comprimidos de 400mg) Criança ————————25 mg /kg/d.

Para a tuberculose pulmonar, doses diárias durante 6 meses

Adulto————————-1200mg (3 comprimidos de 400mg) Criança————————15 mg/kg/d.

Outra terapêutica recomendada para a tuberculose pulmonar

Habitual: Rifampicina x 9 meses+ isoniasida x 9 meses+ pirazinamida x 3 meses Curto: Rifampicina x 6 meses + isoniazida x 6 meses + pirazinamida x 2meses + etambutol ou estreptomicina x 2 meses

Nota: a terapêutica é da competência médica e especializada. Este artigo do PO serve somente de informação a técnicos de saúde em áreas sem recursos.

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